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Tostão explica como ganhou o apelido de moeda: "Era o menorzinho da turma"

Felipe Branco Cruz

22/06/2018 07h41

O tricampeão Tostão em sua casa em Belo Horizonte, MG (imagem: Pedro Silveira/Folhapress)


Quando o tricampeão mundial Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, nasceu em 1947, o tostão (a moeda de 100 réis) já não circulava. Ela havia sido extinta em 1942, quando o real foi substituído pelo cruzeiro.

O apelido da moeda, no entanto, ficou. Até hoje, na cultura popular, as moedas de pequenos valores são chamadas assim. Mas, como é que o jogador Tostão ganhou esse apelido?

No meio dessa Copa do Mundo, eu tive a ousadia de ligar para a casa do Tostão, lá em Belo Horizonte (MG), e fazer essa pergunta. O ex-atleta e colunista da Folha de S.Paulo, gentilmente, arrumou um tempinho entre uma partida e outra para conversar comigo e me explicar a origem de seu icônico apelido.


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"Quando eu era menino, com cinco ou sete anos, eu jogava futebol com os garotos mais velhos. Eu era o menorzinho da turma e, como tostão era o dinheiro que valia menos, eles passaram a me chamar assim, em analogia à moeda", disse o tricampeão.

"Tem esse ditado de que a pessoa 'não vale nem um tostão furado'. Ou seja, eu era tão pequeno, que não valia nada", brincou o ex-jogador. "O apelido ficou, e quando eu virei jogador profissional, já tinha o apelido. Veio da infância".

Tostão aproveitou ainda para alfinetar os "nomes completos" que os jogadores estão usando. "Agora é João Marcelo para lá. Luiz Rafael para cá. Que coisa chata. Não temos mais apelidos como o meu. Não temos mais Pelé. Acho que o apelido é mais significativo para um jogador de futebol. Ele indica uma característica única do atleta".

Tostão: a moeda de 100 réis da República Velha


Tostão, a moeda

A palavra Tostão veio do francês "teston", que foi o nome de uma unidade monetária francesa criada por Luís 12 em 1514 e sancionada por Francisco 1º anos depois. Ela foi a primeira moeda de prata cunhada na França. O nome da moeda francesa, por sua vez, veio emprestado do italiano "testone" que significava "rosto (ou cabeça) grande".

No Brasil, durante o período colonial e imperial, um tostão equivalia a 80 réis. Na República Velha, o termo foi mantido nas moedas de 100 réis cunhadas entre 1918 e 1935. Essas moedas (foto acima) são relativamente fáceis de encontrar. Eu, por exemplo, tenho algumas delas em minha coleção.

Até hoje, a expressão é usada como sinônimo para algo que vale pouco. Graças a Deus, Tostão, o jogador, não fez jus ao apelido e, ao lado de Pelé, Gérson e Rivelino, trouxe o valioso caneco para casa.

Correção: Diferentemente do informado na versão original deste texto, Garrincha não jogou na Copa de 1970. A informação foi corrigida.

Seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970 (imagem: Acervo/Folhapress)


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Sobre o Autor

Felipe Branco Cruz coleciona moedas e curiosidades. É jornalista com mais de 10 anos de experiência, com passagem pelos principais veículos de comunicação do país. Atualmente é repórter de entretenimento do UOL, onde escreve sobre cultura pop, música, cinema e comportamento.

Sobre o Blog

Cara ou Coroa é o blog de numismática do UOL. Por aqui você encontra reportagens e curiosidades sobre as cédulas e moedas do Brasil e do mundo.