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Cara ou Coroa

Moedas raras estão expostas em uma das maiores coleções privadas do país

Felipe Branco Cruz

22/02/2019 08h32

Escada central que dá acesso à exposição (fotos: Felipe Cruz)

Uma das mais valiosas moedas brasileiras, a Peça da Coroação, está em exposição permanente em São Paulo e pode ser vista gratuitamente em uma das mais completas coleções privadas de numismática do país, abrigada no prédio do Itaú Cultural, na Avenida Paulista.

Visitei o local recentemente e me impressionei com a quantidade e a qualidade dos materiais expostos, o que faz desta visita um dos passeios imperdíveis na capital paulista para quem gosta de numismática. Fiz algumas fotos (que ilustram este post) da exposição, que conta 395 objetos numismáticos.

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As peças estão expostas no Espaço Olavo Setúbal, que ganhou esse nome em homenagem a um dos donos do Itaú que, em 1969, começou a colecionar objetos de arte, documentos históricos, ilustrações, mapas, livros entre outras coisas que ajudassem a contar a história do Brasil nos últimos 500 anos.

Peça da Coroação

A Peça da Coroação completará 200 anos em 2022 (foto abaixo). Ela foi cunhada em ouro no valor de 6.400 réis pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro e apresentada na coroação de D. Pedro 1º logo após a Independência do Brasil.

Peça da Coroação (imagem: Felipe Cruz)

O problema é que o imperador não gostou do resultado e suspendeu a cunhagem. O motivo foi o seu busto nu com uma coroa de louros na cabeça, à moda dos imperadores romanos. Ao todo, foram cunhados apenas 64 exemplares, proibidos de entrar em circulação. Atualmente, só existem 16 exemplares da moeda e alguns estão expostos no Rio de Janeiro e em Brasília.

Entre as outras peças numismáticas expostas estão moedas, medalhas, barras de ouro e condecorações desde a entrada dos portugueses no Brasil até os dias atuais. Há, por exemplo, até exemplares holandeses, os primeiros cunhados em território brasileiro, em 1645, no Recife, em Pernambuco, durante a invasão holandesa no Nordeste do país.

Outras peças e suas histórias:

Peça cunhado na Bahia em 1695 com o nome "Terra de Santa Cruz" (imagem: Felipe Cruz)

Moeda de 1695 cunhado quase 200 anos depois do Descobrimento pela Casa da Moeda da Bahia, feita em prata no valor de 640 réis. A peça não foi aprovada porque trazia o nome antigo da colônia, Terra de Santa Cruz. Desta peça, por exemplo, só são conhecidos dois exemplares no mundo.

Moedas de ouro de D. Maria 1ª (imagem: Felipe Cruz)

Moedas de ouro do reinado de D. Maria 1ª (1777-1805) representando vários períodos de sua vida. Até 1786, elas traziam gravadas as imagens da rainha, legítima soberana, e de seu marido, D. Pedro 3º, que com ela dividia o trono e se chamavam Perfis Sobrepostos. De 1786 a 1789, viúva, D. Maria 1ª foi representada em uma peça batizada de Véu de Viúva. Passados os três anos de luto oficial, o retrato da soberana passou a apresentar, até 1799, um toucado com joias e fitas.

Moeda de ouro de 1499 (imagem: Felipe Cruz)

Conhecida como "Português", essa moeda foi cunhada em 1499 na época de D. Manuel, o Venturoso. Certamente, Pedro Álvares Cabral trazia uma dessas em seus cofres quando descobriu o Brasil. A peça foi a maior moeda de ouro cunhada em todo o mundo ocidental até surgirem os dobrões de D. João 5º, 200 anos depois.

Coleção de moedas de ouro de D. João 5º (imagem: Felipe Cruz)

Peças em estilo barroco de D. João 5º, o Magnânimo. Elas foram cunhadas com elaboradas decorações nos valores de 12.800, 6.400, 3.200, 1.600, 800 e 400 réis. D. João 5º foi um dos reis mais ricos de Portugal e seu reinado foi marcado pela descoberta de ouro no Brasil.

Painel com diversas moedas e medalhas (imagem: Felipe Cruz)

Moedas, condecorações e medalhas do período de D. João 6º, D. Pedro 1º e D. Pedro 2º.

Medalha pelo Centenário da Independência (imagem: Felipe Cruz)

Belíssima medalha de ouro cunhada para celebrar o Centenário da Independência em 1922.

Medalhas em homenagem a D. Pedro 2º (imagem: Felipe Cruz)

Medalhas comemorativas da imperatriz D. Leopoldina e outras comemorativas do casamento de D. Pedro 2º com D. Tereza Cristina, em ouro, prata e cobre.

D. Pedro 2º e D. Tereza Cristina (imagem: Felipe Cruz)

Detalhe da medalha comemorativas do casamento de D. Pedro 2º com D. Tereza Cristina

Faces da República (imagem: Felipe Cruz)

Moedas com as várias faces da República, produzidas nos mais diversos metais (ouro, prata, bronze-alumínio, cuproníquel, níquel, aço inox, entre 1889 e 1998.

Barras de ouro fundidas em Minas Gerais (imagem: Felipe Cruz)

Raríssimas barras de ouro emitidas pela Casa de Fundição de Sabará, entre 1808 e 1818, e pela Casa de Fundição de Vila Rica, de 1811. Elas são raras porque quase todas foram derretidas.

Serviço

Itaú Cultural
Endereço: Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Tel.: (11) 2168-1776
www.itaucultural.org.br


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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Felipe Branco Cruz coleciona moedas e curiosidades. É jornalista com mais de 10 anos de experiência, com passagem pelos principais veículos de comunicação do país. Atualmente é repórter de entretenimento do UOL, onde escreve sobre cultura pop, música, cinema e comportamento.

Sobre o Blog

Cara ou Coroa é o blog de numismática do UOL. Por aqui você encontra reportagens e curiosidades sobre as cédulas e moedas do Brasil e do mundo.

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