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Arara, garça e onça estão em medalhas coloridas da série "Bichos do Real"

Felipe Branco Cruz

29/08/2018 08h00

Exposição apresenta medalhas da série "Bichos do Real" (imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)


Entre os dias 23 e 25 de agosto, o Museu da Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, realizou o evento "Colecionismo em Movimento", onde foi possível apreciar e trocar cédulas, moedas, medalhas e selos postais.

Durante o encontro, a Casa da Moeda do Brasil (CMB) também lançou a nova série de medalhas coloridas comemorativas, "Bichos do Real", com a representação dos animais de nossas cédulas. A série foi desenhada por Fernanda Costa e Monique Porto e já está à venda no site do Clube da Medalha.

Quem também palestrou por lá foi Bruno Pellizzari, 22, o mais jovem diretor da Sociedade Numismática Brasileira (SNB) e velho conhecido deste blog. No encontro, ele falou sobre a introdução à numismática e deu dicas de como começar uma coleção.

Como eu não consegui participar do evento, conversei com o Bruno e pedi para ele nos contar o que de mais interessante rolou por lá.

Medalhas da série "Bichos do Real" (imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)


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Blog: Conte um pouco sobre a série comemorativa "Bichos do Real", lançada pela CMB durante o evento.

Bruno Pellizzari: A série é composta por seis medalhas, cada uma retratando um animal que está presente em nossas cédulas hoje em dia. Foi produzida em quatro metais diferentes: bronze, cuproníquel, prata e, pela primeira vez e de modo experimental, em nióbio. Vale lembrar que o Brasil concentra 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo.

A aposta para essa série foi a sustentabilidade, e as peças foram produzidas com materiais reciclados e usando matéria-prima florestal certificada. Parte da renda arrecadada com a venda das medalhas vai ser revertida ao projeto Tamar, organização não governamental que atua na preservação de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção.

A série foi desenhada por Fernanda Costa e Monique Porto e retrata a tartaruga marinha, a garça-branca-grande, a arara-vermelha, o mico-leão-dourado, a onça pintada e a garoupa, animais presentes em nosso dinheiro desde 1994.

No lançamento oficial, aconteceu a cerimônia de descaracterização dos cunhos das medalhas, processo esse que garante a tiragem limitada das medalhas, impedindo a produção futura de mais medalhas. A descaracterização dos cunhos foi feita por Gilberto Tenor, presidente da Sociedade Numismática Brasileira, Guy Marcovaldi, fundador do Projeto Tamar, Jehovah de Araújo, diretor de Operações da CMB, Abelardo Duarte, diretor de Desenvolvimento da CMB, Olavo Garrido, diretor de Finanças e Mobilização de Recursos da Fundação SOS Mata Atlântica, Felipe Frenkel, chefe de Departamento do Meio Circulante do Banco Central do Brasil e Alexandre Borges Cabral, presidente da Casa da Moeda do Brasil.

Série "Bichos do Real" (imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)


Qual é a importância desse evento para numismática no Brasil?

Foi um marco para a numismática brasileira, pois pela primeira vez um encontro dessa grandeza foi capitaneado pela CMB. O objetivo foi fomentar a prática de colecionar medalhas, moedas, cédulas e selos postais, valorizando, em contrapartida, a riqueza cultural e histórica do Brasil e do mundo. Ao longo dos três dias do evento, os amantes da numismática e da filatelia contaram com ciclos de palestras, exposições, mostras culturais, espaço para negócios e networking.

O maior benefício que eventos como esse proporcionam é a possibilidade de colecionadores do Brasil inteiro se encontrarem pessoalmente. Muitas pessoas que na maioria das vezes só tinham contato pela internet, ou ainda nem se conheciam, passam a poder ter um contato maior entre elas. Seja para adquirir novas peças, seja para trocar conhecimentos ou até para passarem, a partir daí, a ter uma amizade além do colecionismo. E oportunidades como essas são maravilhosas e devem ser aproveitadas.

O evento foi sediado em um palacete histórico, no coração do Rio de Janeiro, e que tem quase 200 anos. O local é rico em história. O primeiro museu do país, o Museu Real, foi instalado lá. Também já foi sede da superintendência de Guerra, do Fórum do Rio de Janeiro, do Arquivo Nacional, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e agora, do Museu da Casa da Moeda, que reformou o prédio e na reforma encontrou um sítio arqueológico com mais de 50 mil artefatos, de diferentes séculos, com moedas, cerâmicas, pisos, louças e objetos relacionados à época da escravidão.

Fachada do Centro Cultural da Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro (imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)


Como foi a sua palestra? Quais outras palestras você também destaca?

O tema que eu apresentei foi "Introdução à Numismática", no qual pude abordar os principais aspectos relacionados a essa tão bela ciência, assim como dicas de como se iniciar uma coleção.

Um dos pontos principais da minha palestra foi o debate sobre "quem define o destino do hobby – o jovem colecionador ou o numismata maduro?". A conclusão que chegamos é de que é muito importante investir na instrução dos novos colecionadores e, principalmente, buscar novos colecionadores, apresentando os benefícios da numismática para a maior quantidade de jovens.

As outras palestras foram realizadas por membros da Sociedade Numismática Brasileira e por funcionários da Casa da Moeda do Brasil. Entre elas, podemos destacar algumas, como a feita pela Fernanda Costa, uma das responsáveis pela criação de nossas moedas e medalhas, na qual falou sobre o processo de produção artística e de matrizes das moedas e medalhas comemorativas produzidas pela Casa da Moeda do Brasil. Também tivemos algumas palestras sobre as moedas do Brasil, como a ministrada pelo Alberto Paashaus, sobre as contramarcações monetárias para Portugal e suas colônias no século 17 e a sobre os 960 réis, apresentada por Alexandre Costa.

Quais foram as principais dúvidas das pessoas durante a sua palestra?

As principais dúvidas foram relacionadas à limpeza de moedas, que eu recomendei não ser feita, pois uma limpeza feita de maneira errada pode acabar danificando a moeda, e sobre os catálogos de moedas. Expliquei para os presentes que os catálogos servem como base para negociações, mas não devem ser a única fonte de pesquisa para preços, devendo a pessoa, antes de adquirir uma peça, estudar sobre ela.

Exposição Centro Cultural da Casa da Moeda do Brasil (imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)


Como foi a participação da Sociedade Numismática Brasileira no evento?

Para a realização do evento, pela primeira vez na história, foi firmado um acordo de cooperação entre a Casa da Moeda do Brasil e a Sociedade Numismática Brasileira. Estreitamos os laços entre a empresa e os colecionadores, representados pela SNB. A expectativa é que essa aproximação traga muitos frutos para o futuro, como a emissão de mais moedas comemorativas.

Hoje, a Casa da Moeda depende do Banco Central do Brasil para a emissão, tanto do meio circulante, quanto das moedas comemorativas. Porém, estão sendo feitas tratativas com o Banco Central para que a Casa da Moeda possa ter mais liberdade na emissão de moedas comemorativas, aumentando assim as emissões e consequentemente seus lucros.


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Sobre o Autor

Felipe Branco Cruz coleciona moedas e curiosidades. É jornalista com mais de 10 anos de experiência, com passagem pelos principais veículos de comunicação do país. Atualmente é repórter de entretenimento do UOL, onde escreve sobre cultura pop, música, cinema e comportamento.

Sobre o Blog

Cara ou Coroa é o blog de numismática do UOL. Por aqui você encontra reportagens e curiosidades sobre as cédulas e moedas do Brasil e do mundo.