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Cara ou Coroa

Moedas antigas viram chaveiro e pingente com o desenho que você quiser

Felipe Branco Cruz

01/02/2018 08h04

Moeda de escudo português do atelier Aracati (imagem: facebook.com/atelieraracati)

Estive recentemente em Paraty e conheci o atelier Aracati, comandado pelo casal Fernanda Strino, que é argentina (trabalhando na foto abaixo), e Marcelo Dalto, uruguaio, e seus dois filhos, nascidos no Brasil.

A família, que desde 2006 vive na cidade fluminense, é dona de uma técnica original que transforma as moedas antigas em belas peças de arte.

O atelier é muito fácil de encontrar. Ele fica no Centro Histórico da cidade, na rua Dona Geralda, 211. Se você visitar a cidade e for colecionador de moedas ou apenas gostar delas, vale a pena dedicar alguns minutos de seu dia para conhecer o trabalho desses artesãos. Eu, por exemplo, não conhecia e descobri por acaso enquanto caminhava pela cidade.

O que me surpreendeu foi a maneira como eles adaptaram as típicas ferramentas de joalheria para serem usadas para recortar as moedas e, desta forma, potencializar a beleza de seus desenhos.

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Moedas trabalhadas pelos artesãos expostas na janela do atelier Aracati, em Paraty (imagem: Felipe Cruz)

Conversei com a Fernanda e ela me explicou como as peças são produzidas. Em boa parte das moedas, eles aproveitam o desenho original, que é recortado com uma serra de aço. Mas se o cliente quiser, eles podem fazer qualquer desenho nas moedas, desde o escudo de times de futebol até símbolos maçônicos ou mosaicos celtas.

Todo o trabalho é feito na calçada em frente ao atelier, onde eles montam todo o dia o equipamento usado para recortar as peças (veja como ele é na foto ao lado). A família compra as moedas antigas do Brasil e do mundo de colecionadores ou de pessoas que têm guardadas em casa.

"Como Paraty recebe visitantes de todo o mundo, é fácil comprar moedas de vários países", disse Fernanda.

A artesã me tranquilizou dizendo que a maioria das moedas não possui valor comercial, portanto os colecionadores podem ficar tranquilos porque ela não está "destruindo" nenhuma raridade, pelo contrário, está agregando valor a peças que não valiam praticamente nada.

"Não mexemos em nenhuma moeda rara. Sabemos identificar o que é raro e que tem valor", afirmou a artesã.

Os preços de cada peça começam em R$ 30 e podem chegar até a R$ 3.000, dependendo da dificuldade e do material das moedas, já que algumas peças antigas eram feitas de metais nobres, como prata de lei.

Fiz um vídeo do trabalho deles. Assista abaixo:

Veja algumas moedas trabalhadas por eles:

Algumas peças de R$ 150 e R$ 200 (imagem: Felipe Cruz)

Equipamento de joalheria usado para furar as peças (imagem: facebook.com/atelieraracati)

Detalhe da serra de aço usada para recortar as moedas (imagem: facebook.com/atelieraracati)

Trabalho minucioso feito em escudos e réis. Valor: R$ 1.500 (imagem: Felipe Cruz)

O artesanato é feito em moedas do mundo todo (imagem: Felipe Cruz)

Detalhe das moedas portuguesas e espanholas de prata de lei (imagem: Felipe Cruz)

Moedas brasileiras de réis do período republicano e do império (imagem: Felipe Cruz)

Detalhe de moedas estrangeiras (imagem: Felipe Cruz)


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Sobre o Autor

Felipe Branco Cruz coleciona moedas e curiosidades. É jornalista com mais de 10 anos de experiência, com passagem pelos principais veículos de comunicação do país. Atualmente é repórter de entretenimento do UOL, onde escreve sobre cultura pop, música, cinema e comportamento.

Sobre o Blog

Cara ou Coroa é o blog de numismática do UOL. Por aqui você encontra reportagens e curiosidades sobre as cédulas e moedas do Brasil e do mundo.

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