Cara ou Coroa

Saiba identificar a nota de R$ 2 sueca que há um ano circula no Brasil

Felipe Branco Cruz

16/01/2018 07h47

Abra a sua carteira agora e pegue uma nota de R$ 2. Há grandes chances de você estar carregando uma cédula impressa pela empresa Crane AB, em Estocolmo, na Suécia, e não no Rio de Janeiro, pela Casa da Moeda do Brasil.

Embora esta nota tenha sido produzida em outro país, ela não é falsa, tem os mesmos elementos de segurança e vale da mesma forma que as outras impressas por aqui.

Recebi uma delas nesta semana que, por pouco, não passou despercebida. Sabe o que eu fiz logo em seguida? Usei-a para comprar um cafezinho. Sim. Porque ela até pode ser “diferente” das outras cédulas, mas não é rara (por enquanto).


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Antes de gastá-la, no entanto, eu fiz as fotos abaixo, onde aponto como identificar as suas diferenças. E, antes que você me pergunte por que eu gastei e não guardei, é porque eu já tenho um exemplar na minha coleção, é claro! 🙂

De acordo com informações publicadas no site do Banco Central, a Crane AB produziu 100 milhões de unidades ao custo total de R$ 20,2 milhões. Elas entraram em circulação há quase um ano, no dia 18 de janeiro de 2017. Já as cédulas de outros valores, continuaram sendo produzidas pela Casa da Moeda.

E, por que essas notas (ainda) não são raras?

Porque atualmente a quantidade de cédulas de R$ 2 sueca circulando no país é muito grande, numa proporção de uma sueca para cada 10 brasileiras.

É claro que, assim como qualquer novidade, quando as notas chegaram por aqui, elas despertaram a atenção dos colecionadores que estavam pagando até R$ 5 por um exemplar (em perfeito estado).

Porém, conforme estas cédulas ficarem velhas e eventualmente forem substituídas por novas, vão ficar raras nas ruas. Aí sim, elas poderão ter mais valor para os colecionadores.

Enquanto isso não acontece, aqui na padoca do bairro, se a inflação não subir, elas só servirão mesmo para pagar o meu cafezinho.

Saiba identificar

É muito fácil identificar as cédulas suecas. O principal destaque está no lado direito do reverso (o da tartaruga). No lugar onde deveria estar escrito Casa da Moeda do Brasil, está escrito Crane AB.

Outra característica são as duas primeiras letras do número de série. As suecas sempre começam com “DZ”, como mostra o site do Banco Central.

As diferenças entre as cédulas suecas de R$ 2 e brasileiras (imagem: Felipe Cruz)


Na época do lançamento, o Banco Central teve que explicar por que as cédulas suecas foram encomendadas, já que temos a Casa da Moeda, uma instituição dedicada apenas a isso. E, para piorar, a Crane AB foi contratada em regime de urgência e sem licitação.

A justificativa que o BC deu foi a de que não iríamos conseguir suprir a demanda e, de quebra, ainda economizaríamos 17% para imprimi-las. No Brasil, a Casa da Moeda cobra atualmente R$ 242,73 para imprimir mil cédulas de R$ 2, enquanto na Crane AB o valor foi de R$ 202,05.

A contratação de uma empresa estrangeira também virou um dos argumentos de quem defende a polêmica privatização da Casa da Moeda, como mostrado nesta reportagem do UOL Economia.

Não é a primeira vez

Até 1960 todas as cédulas brasileiras eram impressas no exterior. As duas principais gráficas que atenderam o país foram a britânica Thomas De La Rue (fundada em 1813) e a norte-americana American Bank Note Company (fundada em 1795).

Um detalhe curioso: algumas cédulas de 10 cruzeiros, produzidas pelas gráficas americanas e britânicas, chegaram ao país com cores ligeiramente diferentes.

As notas do De La Rue são verdes e a da American Bank Note são azuladas (imagem: Felipe Cruz)


As primeiras cédulas de real também não foram produzidas pela Casa da Moeda do Brasil e sim por várias empresas diferentes. De acordo com o Catálogo de Cédulas do Brasil, de Manoel Camassa, as primeiras notas de R$ 5 foram fabricadas pela Giesecke Devrient (Alemanha), as de R$ 10 pela Thomas de La Rue e as de R$ 50 pela François Charles Oberthur (França).

As notas do Uruguai e do Paraguai, por exemplo, até hoje são impressas pela De La Rue. A Argentina, embora também possua uma casa da moeda, já contratou a Casa da Moeda do Brasil quando não conseguiu suprir parte de sua demanda.

Reverso da cédula de peso uruguaio feita pelo De La Rue (imagem: Felipe Cruz)


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Sobre o Autor

Felipe Branco Cruz coleciona moedas e curiosidades. É jornalista com mais de 10 anos de experiência, com passagem pelos principais veículos de comunicação do país. Atualmente é repórter de entretenimento do UOL, onde escreve sobre cultura pop, música, cinema e comportamento.

Sobre o Blog

Cara ou Coroa é o blog de numismática do UOL. Por aqui você encontra reportagens e curiosidades sobre as cédulas e moedas do Brasil e do mundo.

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