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Dinheiro do Inferno: as notas falsas que os chineses queimam para os mortos

Felipe Branco Cruz

09/08/2018 08h33

"Dinheiro do Inferno" é queimado na China


O novo modelo da cédula de cem dólares de Hong Kong, previsto para entrar em circulação no final deste ano, está sendo ridicularizado pela população por se parecer com o "Dinheiro do Inferno", que os chineses queimam por seus entes queridos já falecidos.

A nova cédula de cem dólares traz a efígie de uma cantora de ópera cantonense e tem o vermelho como cor predominante, deixando-a muito parecida com o tal "Dinheiro do Inferno".

"O design é muito assustador. Deve-se gastá-lo logo após recebê-la. Não me atrevo a levar para casa", escreveu uma pessoa no Facebook. Outra (veja abaixo) alertou para nunca aceitar esta nota na rua de estranhos durante o Ano Novo Lunar. "Eles podem estar procurando parceiros para seus parentes que morreram jovens".


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À esq. o "Dinheiro do Inferno" e à dir. detalhe da nova cédula de cem dólares de Hong Kong



Mas você sabe o que é o "Dinheiro do Inferno"?

Trata-se de uma cédula feita para parecer dinheiro de verdade, mas sem valor legal, que é queimada em memória a um parente morto como forma de resolver problemas financeiros de seus antepassados. O costume de queimar uma réplica de dinheiro é praticado pelos chineses desde o final do século 19.

Mas é possível encontrar traços desta tradição para mais de 1.600 anos a.C., já que arqueólogos encontraram moedas falsas ao lado de ossos humanos em algumas regiões do país, indicando a prática.

As notas, impressas especificamente para este fim, trazem a palavra diyu que significa algo como "prisão do submundo". Na crença do país, este é o lugar para onde as almas dos mortos vão para ser julgadas pela primeira vez e, então, é decidido se elas irão para o paraíso ou para um labirinto no submundo a fim de expiar os pecados.

A palavra inferno não existia na cultura chinesa. Ela foi introduzida por missionários cristãos que diziam que todos os chineses que não se convertessem iriam direto para o inferno. A palavra "inferno", portanto, passou a ser associada pelos chineses ao diyu.

O mais curioso é que as primeiras cédulas do "Dinheiro do Inferno" eram impressas com os valores de cinco e dez yuans, mas com a inflação, os valores aumentaram e passaram a ter denominações de 10 mil até vários bilhões de dólares americanos! Sim, a maioria das novas notas agora tem a denominação do dólar americano.

As cédulas costumam ter no anverso a efígie do Imperador de Jade, um dos mais importantes deuses do panteão taoísta. No reverso, há uma imagem do "Banco do Inferno". As notas geralmente são encontradas à venda em lojas de itens religiosos.

Na China, é legal queimar as cédulas do "Banco do Inferno", porém é proibido que se queime com a intenção de coisas vulgares para os mortos, como moradias de luxo, carros, amantes, entre outras coisas. Não basta queimá-las apenas. É preciso seguir algumas regras, pois se feito de maneira errada pode dar azar.

Alguns modelos do "Dinheiro do Inferno":

Vídeo de apresentação das novas cédulas de Hong Kong:


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Sobre o Autor

Felipe Branco Cruz coleciona moedas e curiosidades. É jornalista com mais de 10 anos de experiência, com passagem pelos principais veículos de comunicação do país. Atualmente é repórter de entretenimento do UOL, onde escreve sobre cultura pop, música, cinema e comportamento.

Sobre o Blog

Cara ou Coroa é o blog de numismática do UOL. Por aqui você encontra reportagens e curiosidades sobre as cédulas e moedas do Brasil e do mundo.

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